Foi o Brasil, e não o Rio, que se tornou outro país com coronavírus

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Foi o Brasil, e não o Rio, que se tornou outro país com coronavírus

Ao criticar as medidas de Wilson Witzel e de outros governadores para deter o novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro mostra que nem a pandemia o faz baixar a guarda na busca de conflito com quem considera potenciais adversários eleitorais. Bolsonaro, no entanto, insiste em uma estratégia para um cenário que deixou de existir com a Covid-19. Na nova situação, os governadores se fortalecem e o presidente se enfraquece. Apenas porque os primeiros dão mostras de que a atuação política possível no momento é priorizar o combate à pandemia.

A forma como Bolsonaro e Witzel lidam com os responsáveis pela saúde em seus governos é um exemplo de como a visão sobre a doença leva a uma diferença de atitudes. Tanto o secretário estadual de Saúde do Rio, Edmar Santos, ex-diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, quanto o ministro Luiz Henrique Mandetta, médico ortopedista egresso do Exército, são bem avaliados pelo setor, e fazem uma gestão afastada de conchavos políticos.

Witzel dá informações sobre a pandemia, anuncia medidas de contenção, demonstrando apoio a Santos. A atuação é bem diferente do que teve com a crise da contaminação da água da Cedae pela geosmina, em que o governador foi criticado por demorar a perceber a gravidade do problema.

Bolsonaro, além de insistir que os temores com o coronavírus são “histeria”, criou um comitê contra a doença em que pôs o general Braga Neto, ministro da Casa Civil, como coordenador, ao invés de Mandetta. O ministro da Saúde já se contrapôs ao deputado Eduardo Bolsonaro e pediu respeito aos chineses, criticados em rede social pelo filho do presidente. O Rio de Janeiro não se tornou outro país porque o governador mandou fechar as divisas para conter a Covid-19, como criticou Bolsonaro. Mas o Brasil se tornou um outro país por conta da pandemia, e não se dar conta disso cobra um preço político.

Fonte: Yahoo